December 2006


Na breve leitura crítica sobre o agora alargado projecto português de televisão exclusivamente via Internet não me vou dedicar tanto ao aparato técnico da TVNET – deixo a sugestão de leitura deste texto do João Pedro – vou antes tentar esboçar algumas pistas de reflexão marcadamente jornalística.

A economia das imagens

Antes de mais, é imperativo que fique claro que o projecto não vive assente em estruturas sócio-económicas amadoras. Pertence ao grupo Pangemedia Global e, do que retenho da leitura do Diário Económico, “prevê um investimento de 1,2 milhões de euros ao longo dos próximos três anos”.

Dentro desse campo do sentido, são reveladoras do prisma sócio-económico subjacente as palavras de André Rodrigues, o administrador da TVNET: “queremos ser, dentro de três a cinco anos, um dos cinco órgãos de comunicação na Internet mais visitados a nível nacional”.

O projecto foi lançado inicialmente nos Açores. Foi, posteriormente, criada em Lisboa uma redacção e o necessário departamento multimédia, encarregue de produzir os conteúdos do site. Podemos concluir que o projecto não financia, logo aí, uma evidente descentralização estrutural capaz de propor e vivenciar uma agenda informativa sob renovadas intenções jornalísticas.

A composição do Conselho Consultivo – Manuel Falcão (ex-director do canal 2), Jaime Fernandes (ex-responsável da RTP1) e João Palmeiro (actual presidente da Associação Portuguesa de Imprensa) – sendo composto por protagonistas do grande espaço mediático, vem reforçar esse enquadramento da TVNET na tradicional lógica mercantilista e publicitária dos mass media, absorvidos na fundação os mecanismos históricos do que se conveciona chamar de jornalismo tradicional.

Fica afastada, desse modo, qualquer eventual mitologia associada à estação outsider ou proveniente do submundo informativo. Tal observação é tanto mais relevante quanto justaposta às expectativas lançadas sobre um canal que venha rivalizar ou constituir alternativa consistente às televisões

Essa permanência da macroestrutura mass-mediática não exclui que, no foro iminentemente sócio-profissional, os 8 elementos da TVNET não sejam confrontados com um esforço de integração na arena consagrada. Observação sustentada seguindo a via do leitor.

A mimética do uso

Do que se pôde até agora ver e ouvir nas emissões do NET JORNAL, o espaço informativo horário da net-estação, retemos:

a) a linguagem noticiosa multiplicadora do pré-existente: não estamos minimamente perante uma reformadora reivenção da linguagem das notícias. Para que se perceba, exemplifico com o que a TSF veio à idade da sua origem representar a esse nível no panorama radiofónico português.

b) o monoestratégico esforço de apelo ao público: André Rodrigues observa: “a forma como as pessoas consomem informação mudou” e a TVNET propõe-se acompanhar os novos hábitos com “um produto diferenciado”, cujo objectivo é “criar laços de proximidade com o público através da interactividade”.

Pelo canto do olho interactivo – no que comporta de sugestão de uma agenda informativa pelo público – a TVNET incorpora as noções de cidadão-repórter (envio de vídeos) e de repórter mms (envio de fotografias). Inclusão que, tendo sido já incorporada pelos mass media, não é já reduto monumental do ciberjornalismo, sinalizando nesse capítulo o reduzido passo adiante dado pela televisão em linha.

Estando, no tempo presente, baseada num modelo mimético apostado na equiparação aos grandes canais de difusão, a TVNET não vem representar uma renovação no modo de fazer, apenas um acrescento de plataforma disponível. Contudo, não estamos já na idade em que bastava à iniciativa viver no ciberespaço para ser considerada como uma introdução revolucionária. A maturidade, claro, é um processo.

c) a realimentação do agendamento temático: resumindo, os destaques noticiosos são exactamente os mesmos que veremos ao longo de todo o dia na RTP, SIC e TVI.

O EVD (Enhanced Versatile Disc) é um novo formato que quer competir com o DVD. Tem sido anunciado como tendo 5 vezes mais qualidade. Leia-se no ABC:

En una presentación que puede marcar un hito en la historia de la tecnología, 20 marcas de electrodomésticos chinos acaban de dar a conocer 54 reproductores de EVD, dando así el pistoletazo de salida a una agresiva campaña para implantar masivamente dicho formato en todo el mundo.

Depois de 12 anos como editor, Ian Jack já anunciou que vai sair da revista. O The Independent publica a entrevista: Granta, a new chapter at the original literary journal.

Quem o afirma é o Committee to Protect Journalists, neste relatório:

The number of journalists jailed worldwide for their work increased for the second consecutive year, and one in three is now an Internet blogger, online editor, or Web-based reporter.

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Só agora dei por ele, apesar de ter sido publicado em .pdf em Outubro. Destaco o capítulo dedicado às competências necessárias à idade digital e um outro ao guia de cursos em jornalismo.

Oh-Oh-Oh tecnológico para ler no The Times: dos televisores às superconsolas, dos rádios DAB aos laptops.

Também de Espanha chega uma outra notícia: já se iniciaram as emissões na Internet do canal Internautas Televisión. O projecto quer estar na linha da frente da informação sobre o sector.

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