February 2007


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Aos interessados: na Antena 1, depois do noticiário das 16h, passa a reportagem Bósnia, o adeus às armas, da minha autoria. Está previsto sair um textinho mais curto – e com um enfoque mais regional – amanhã no Jornal de Notícias.

Nos próximos dias,  vou publicar no Diplomaticar o que vi, o que ouvi, 11 anos depois do fim da guerra civil.

Depois de uma reportagem sobre a violência criminosa na África do Sul, o histórico e governamental ANC acusou a britânica BBC de ser racista.

Jon Williams, o editor, responde.

A Sala de Prensa republica aquele que terá sido o último artigo escrito por Ryszard Kapuscinski para o Gazeta Wyborcza.

Resposta de Gene Policinski, no American Press Institute:

Student journalism both offers a training ground to those who would pursue the profession and an initial experience to all young people, who will be dealing with news media in various forms for the rest of their lives. Student media can and should provide opportunities for vigorous debate on issues and for learning responsibility while getting good advice from experienced and educated professionals.

Assim escreve a jornalista São José Almeida no Público (subscrição necessária):

A agência LPM Comunicação pediu ao presidente da Assembleia da República acreditação no Parlamento com o estatuto de agência de comunicação, para ter acesso aos trabalhos e contactar directamente os deputados. O pedido inédito pode configurar uma estreia do lobbying em Portugal.

Venha a declaração de interesses.

Há mais, Paixão Martins, director da LPM, diz ao jornal:

Hoje há dois estatutos na Assembleia, explica, o dos cidadãos em geral, que é limitado e com espaços reservados, e o dos jornalistas, com mais liberdade de circulação e de abordagem dos deputados. Assim, o que a LPM quer, prossegue, é ter “um estatuto no Parlamento”. Mas adverte que o seu pedido não pode ser confundido com lobbying: “Lobbying é procurar influenciar decisões parlamentares, o que estamos a pedir não é isso, é para circularmos e pedirmos informação”.

Políticos, Jornalistas e Agências de Comunicação: a pirâmide infernal das democracias?

Admito que, de uma forma geral, a hipótese – que está a ser estudada por Jaime Gama, o Presidente da Assembleia da República (AR) – venha incomodar os jornalistas, sobretudo, os ditos repórteres parlamentares, habituados ao estatuto de exclusividade informativa.

Também me pergunto se não será melhor regulamentar fortemente a presença de Agências de Comunicação na AR, em vez de fechar os olhos a um relacionamento que terá sempre espaço e tempo para existir por vias indirectas, como almoços, jantares e reuniões entre as partes. Até certo ponto, são procedimentos legítimos: empresas procuram clientes.

E também me pergunto se as Agências de Comunicação estarão assim tão interessadas em assistir aos debates parlamentares e às reuniões das comissões especializadas e para quê?

O limite, parece-me, está em separar as águas entre a missão comercial e/ou publicitária das agências e a missão de serviço público dos jornalistas . Há que, sobretudo, distinguir de modo bem claro a noção de fonte de informação da de fonte de negócio. Daí que, assumidamente, o tal reivindicado acesso aos deputados não possa ser comparado com o dos jornalistas, se chamarmos ao jogo uma palavra simples: deontologia.

Daí que seja fundamental esta informação compilada pelo Público:

A LPM comunicação, fundada em 1986 por Luís Paixão Martins, possui 43 consultores, uma carteira de 35 clientes permanentes e factura mais de cinco milhões de euros/ano. Entre os políticos que já elegeu salienta-se as campanhas de José Sócrates e a de Cavaco Silva. Anteriormente, o trabalho da LPM tinha-se destacado ao fazerem a assessoria de Edite Estrela na Câmara de Sintra.

O primeiro número (pdf) está disponível para download gratuito, e para mais tarde recordar…

Algumas notas dispersas pela manhã:

  • O grafismo está evidentemente mais fresco, mais contemporâneo, mais internacionalista, como a blogosfera já tem notado.
  • Agrada-me a solução para a manchete de hoje – “Agora sim”, com os números da votação por cima – simples, eficaz, “very british”
  • O redesenhar do jornal trouxe possibilidades renovadas para os fotojornalistas. A opção vem reestimular os olhos do leitor perante o cinza dos últimos anos
  • O texto da Direcção Editorial aponta num caminho com que me identifico e no qual – como prova o Público, primus inter pares – só os audazes serão capazes de fazer valer o sentido do Jornalismo. Leia-se:

A facilidade de colocar na rede textos, sons e imagens dessacralizou a função dos jornalistas e alterou irremediavelmente a superfície de contacto entre a informação e os seus destinatários. A pressa da vida moderna nem sempre tolera espaçoe tempo para o prazer de ler jornais. Num ápice, constatámos que qualquer alteração incremental redundaria numa mera atitude de resistência e estaria condenada ao fracasso.

Quanto ao site, não se pode dizer que muito tenha mudado, permanece essencialmente intacto. Apesar disso, acredito que não tardará a haver mudanças para melhor…

Penso que muitos já viram a foto do ano.

Reconheci, como uma pancada seca de déjà vu, o local assim que vi a imagem. Tive a oportunidade de reportar o pós-guerra no Líbano. Posso garantir que o momento capturado Spencer Platt é um espelho fiel (de parte) dos universos antagónicos que se cruzam pela capital Beirute.

Apesar de isso, prefiro destacar o que – suspeito – muitos ainda não saberão. Há um português na Galeria de Vencedores. Dá pelo nome de João Silva, costuma estar fixado 6 meses na África do Sul e, nos restantes, em Reportagem, para o… New York Times.

A série de fotos premiada retrata um ataque de atirador furtivo em Karmah, Iraque, e o fotojornalista estava lá para o clic. É a prova – dúvidas houvesse – que, dêem-nos oportunidades, e somos tão excelentíssimos como quaisquer outros.

Os meus parabéns caro João!

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direitos reservados a Joao Silva, New York Times

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