Governo Electrónico


A inaguração da nova página electrónica do Ministério da Administração Interna (MAI), do weblog do ministro António Costa e a publicidade feita via YouTube lança algumas questões interessantes.

Estão lá os Rss Feeds, as Creative Commons, os Google Maps e a secção multimédia. Mas importa discutir um conceito de que deve depender – no meu entender – a nouvelle vague da ePolitik: a capacidade de gerar interactividade.

A existência de hiperligações é por si só, em qualquer site, o núcleo de diálogo com o que se justapõe, i.e, ponto de partida, de chegada e habilidade de gerar pontos que são simultaneamente de chegada-partida. Nesse capítulo, as ligações externas – órgãos de soberania nacionais e homólogos, bem como portais de interesse público – estão todos lá.

Também disponíveis: um motor de busca interno, a capacidade de descarregar documentos públicos. Apesar disso, importa um pormaior: e quanto à eficácia da interacção social? Quanto tempo demorará uma resposta a uma qualquer dúvida cidadã colocada por email? Querem fazer o teste?

Eu fiz a semana passada, com o Ministério da Justiça. Não utilizei qualquer tipo de método jornalístico, uma vez que o cidadão comum não tem acesso habitual ao gabinete e aos assessores.

Utilizei somente o comum email para me informar de estatísticas que são públicas (percentagem nacional mais recente sobre cidadãos absolvidos e condenados pelo crime de violação; queria comparar os dados nacionais com um relatório da ONU).

Demoraram apenas um dia, mas…. para me dizerem que “os dados do ano de 2005 são provisórios e que os dados de 2006 ainda não se encontram disponíveis”. Onde pára a digitalização?

O renovado site do MAI, apesar do bom sinal que lança, não entrega aos cidadãos a possibilidade de marcar a agenda do debate. A eEntrevista – JN e Antena 1 – apresenta-se como interactiva.

Apesar disso, as questões respondidas foram lançadas apenas pelos dois jornalistas e não pela inclusão do público no debate. Essa participação é remetida para os comentários. Sendo assim, o esquema é reactivo e não interactivo.

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O PSOE, de que o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero é secretário-geral, tem a partir de agora um canal televisivo: a iPSOEtv.

Para os rssdependentes (como eu…) suponho que seja sempre uma dor de coração – depois de encontrada AQUELA referência online – descobrir que, no fim de contas, o site não dispõe de tecnologia rss e que seremos obrigados a consultá-lo sistematicamente pelo tradicional surf de link em link.

Pois bem: se tal é penoso (e hoje incomportável) qualquer que seja a publicação, o cenário é ainda mais catastrófico quando falamos de publicações ou instituições intimamente dedicadas às temáticas… tecnológicas….

Exemplos aleatórios, mas representativos:

revista Exame Informática 

Museu Virtual de Informática

Loja Chip 7

Já para não referir as páginas electrónicas dos órgãos do Estado e da Administração Pública:

Presidência da República

Portal do Governo

Assembleia da República

Segurança Social

A lista, haja tempo e paciência para examinar, será (corrijam-me) infindável… Dará um bom exercício jornalístico…

E-government, um desafio simplex?