Imprensa


… eis que o The Times passa a ser publicado no Médio Oriente:

A serious newspaper needs to provide coverage not just of the tragedy of Iraq or the nuclear ambitions of Iran, but of the great social experiment that is Jordan and of the extraordinary growth in the United Arab Emirates. There needs to be better reporting of the capital flows from Saudi Arabia and, for example, of the increasingly complex links between Egypt and China, whose influence on the region may be self-described as commercial, but is clearly and inherently political (…)

We are proud to publish a special supplement on the Middle East and are particularly honoured that we will soon be published each day in a region that is destined to play an increasingly influential role in the world.

PS – o título deste post não é um comentário ao anterior, mas compreendo eventuais confusões…

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…ou quando os Media afinam pelas agências de notícias e não, maioritariamente,  pela investigação própria:

Diário de Notícias, secção Sociedade:

Título: Ingleses não questionam autoridades portuguesas

Lead: Pelo terceiro dia, a imprensa britânica continuava, ontem, a seguir com destaque o caso da menina desaparecida no Algarve, sem nunca questionar a diligência das autoridades portuguesas

Público, edição online:

Título: Lagos: Imprensa britânica fala do retrato robô e aponta críticas à investigação

Lead: A imprensa britânica volta hoje a destacar o desaparecimento da criança inglesa de três anos de um aldeamento turístico em Lagos, Algarve, apontando algumas críticas às investigações e salientando a existência de um retrato robô de um suspeito.

Jornal de Notícias, edição online:

Título: PJ sem pistas vai ter ajuda das secretas

Corpo de texto: No terreno, as tarefas de investigação parecem estar divididas. Se por um lado a PJ está empenhadíssima na procura do alegado sequestrador, a GNR tenta encontrar a pequena Maddie. Aliás, segundo apurou o JN, o retrato- -robô que a Judiciária diz existir não foi dado a conhecer ainda aos elementos das outras forças envolvidas nas buscas. Confrontados com esta situação pelo JN, os responsáveis pelas várias polícias remeteram-se ao silêncio. Fonte da PJ revelou que o retrato é de alguém de costas, que terá sido visto a rondar o apartamento da família McCann.

 Sol, edição online:

Título:  Imprensa britânica critica autoridades portuguesas

Superlead: A imprensa britânica volta hoje a destacar o rapto da menina inglesa no Algarve, apontando críticas às investigações e frisando a existência de um retrato robô

chasqui97.jpgÉ o tema de capa do n.º 97 da revista Chasqui:

Los diarios se aproximan al cambio más importante de su historia: el momento en que el papel, arrinconado por nuevas formas de consumo informativo de una nueva generación de lectores, deberá dejar paso al soporte digital. Y ya es seguro que ocurrirá; la única duda es cuándo.

Imprescindível: publicado como de costume pelo Project for Excellence in Journalism, o relatório inclui este ano uma topografia de sites informativos.

E mais: faz-se acompanhar de um teste, para que os utilizadores avaliem comparativamente as páginas informativas. [Ainda não está a funcionar a 100%]

Alguma breves conclusões:

  1. Os web sites desenvolveram-se para além do seu media de raiz.
  2. Os sites informativos parecem explorar duas áreas da web: a) uma identidade própria através de conteúdos originais e de um processo editorial distinto; b) o potencial da informação personalizada, através das capacidades de mobilidade.
  3. Os sites informativos fizeram o mínimo por aprofundar as notícias [ligações para os documentos originais, material de contexto, etc…]
  4. O jornalismo digital continua a não explorar o potencial de participação dos utilizadores.
  5. Sendo assim, apenas alguns sites aproveitam as múltiplas áreas do potencial da rede.

Deixo aqui o sumario.pdf das principais conclusões.

A Sala de Prensa republica aquele que terá sido o último artigo escrito por Ryszard Kapuscinski para o Gazeta Wyborcza.

O primeiro número (pdf) está disponível para download gratuito, e para mais tarde recordar…

Algumas notas dispersas pela manhã:

  • O grafismo está evidentemente mais fresco, mais contemporâneo, mais internacionalista, como a blogosfera já tem notado.
  • Agrada-me a solução para a manchete de hoje – “Agora sim”, com os números da votação por cima – simples, eficaz, “very british”
  • O redesenhar do jornal trouxe possibilidades renovadas para os fotojornalistas. A opção vem reestimular os olhos do leitor perante o cinza dos últimos anos
  • O texto da Direcção Editorial aponta num caminho com que me identifico e no qual – como prova o Público, primus inter pares – só os audazes serão capazes de fazer valer o sentido do Jornalismo. Leia-se:

A facilidade de colocar na rede textos, sons e imagens dessacralizou a função dos jornalistas e alterou irremediavelmente a superfície de contacto entre a informação e os seus destinatários. A pressa da vida moderna nem sempre tolera espaçoe tempo para o prazer de ler jornais. Num ápice, constatámos que qualquer alteração incremental redundaria numa mera atitude de resistência e estaria condenada ao fracasso.

Quanto ao site, não se pode dizer que muito tenha mudado, permanece essencialmente intacto. Apesar disso, acredito que não tardará a haver mudanças para melhor…

No The Independent, as respostas de destacadas figuras dos media.

The age of podcasts, war-zone bloggers, and countless other online information sources presents newspapers with arguably their biggest challenge ever. But how to react? Is print heading for obsolescence? Or can it re-invent itself and reach out to a generation brought up looking at screens?

Só lamento que o debate sobre o futuro da rádio não surja no espaço público.

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